quarta-feira, 25 de julho de 2012

"O Beijo da Morte" de Verônica


SINOPSE Uma menina que teve seu DNA alterado, na qual sua vida se resumia em matar. Uma máquina de matar que não deveria ter sentimentos ou dúvidas.Após voltar de uma missão, encontra pessoas diferentes do que ela conhecia, sua vida muda drasticamente. Ela era mesmo só uma humana com DNA alterado? Apenas uma máquina de matar sem sentimentos e dúvidas?

1° Capitulo - Irmãos?!


Levantei do chão sujo e limpei o sangue da minha boca.
Olhei para o lado e vi um corpo morto, que eu mesma tive que matar. Virei seu corpo e olhei no seu rosto. Desviei o olhar dos seus olhos sem vida e peguei a minha espada que estava fincada no seu coração.
Engoli em seco e escondi meu sentimento de dor, medo e insegurança. Olhei para o outro lado e vi um homem “dançar” uma verdadeira batalha.
-Termine logo com isso Jack! Não brinque em serviço! – gritei brava.
Logo vejo o homem, na verdade o Jack, terminar sua dança perfeita, cortando o pescoço do homem. O jeito de ele lutar era incrível e sempre me fascinou. Limpou sua faca em um movimento rápido no ar e caminhou na minha direção.
-Denise. Quantos foram hoje?
-Apenas vinte e dois. – falei isso como se não me importasse, pois esse é o nosso trabalho – E você?
-Vinte. – ele disse e fez uma careta – Você sempre ganha.
-Como se eu me importasse. – falei caminhando na direção do carro preto que nos esperava na rua deserta, como um deserto, sem nada por perto, além de uma casinha branca, onde as pessoas que matamos ficavam – Odeio essas pessoas. Essas pessoas que usam outros seres humanos para invocar os seus “Deuses” que na verdade são apenas espíritos malignos.
-Nem me fale. – percebi ele começar a andar devagar e calmo.
-Não vejo a hora de nos encontrarmos com eles. Eu juro que vou matar cada um deles com gosto. Fazendo-nos ter que matar mais e mais pessoas inocentes... Odeio-os! – segurei minha fúria e entrei no carro esperando por ele.
Fiquei quieta olhando para o motorista particular do instituto. Olhei nos seus olhos pelo retrovisor e quando ele percebeu cobriu seus olhos castanhos com ocluso.
-Quando chegarmos ao instituto eu mesmo irei entregar o relatório completo. Não precisa se estressar com isso. – assenti e olhei distraidamente para o seu cabelo preto todo desgrenhada, admirando-o – Denise? O que houve?
-Nada. – repreendi-me e afastei-me mais ainda dele encostando-me, na porta e encostando mina cabeça na janela olhando a paisagem que mudava rapidamente – Só estou cansada. Não dormi nada essa semana. Só dormi vinte e duas horas! Pelos céus! Estou morta de cansaço.
-Apesar de você ser a melhor no nosso instituto e uma das cinco melhores dos institutos espalhados pelo mundo, você é a que menos mata. Pelo menos nesses últimos três anos. Antes você era uma maquina mortífera e matava o que quer que te fosse se falasse que era pelo bem da humanidade.
-Essas pessoas não tem salvação e não tem porque eu matar mais que o necessário. Eu sou apenas o apoio. Os outros é que tem que matar. Eu só mato aqueles que resistem. Eu não acho...
Fiquei quieta e escondi todas minhas emoções. No instituto nós aprendermos a não ter emoção, não ter paixão, dó, piedade, remorso e muito menos amor.
Lá você tem estudos normais até aos trezes anos, terminando os estudos já sabendo mais de dez línguas no mínimo. Somos mais espertos que qualquer estudante de faculdade.
Aos quinzes anos, nós começamos a nos especializar apenas em lutas, tiros, espadas... E por ai vai. Nós somos humanos com o D.N.A. modificado ainda no útero de nossas mães, as fazendo ficarem fracas e morrerem no parto. Ainda existem aquelas que nem conseguem dar a luz e morrem antes.
Nós nascemos para matar o que não é humano, ou humanos possuídos por algo. Não importa se é espirito ou qualquer outro ser. Todos que não são humanos, só têm salvação se forem mortos.
É o que nós aprendemos. Não há salvação para quem não é um humano puro. Quem é possuído ou vampiro, ou lobisomem ou qualquer outra coisa, é algo para ser morto. Algo que não é certo. Que não é para existir.
Nós fomos modificados para então poder acabar com as pestes. Nós somos a ordem do mundo, que protege os humanos.
Ao nascermos, nós temos mais facilidade de aprender as coisas. Isso vai de estudos a luta. Mas assim como todos, até os modificados tem os melhores e os piores.
Como não temos “emoções”, não sofremos pela morte de nossas mães, nem de ninguém que nós matamos que dia após dia só torna apenas mais um habito como comer. Aprendemos a não ter dúvidas ou questionar as ordens, a não ser que você passe para um cargo maior, onde eles ordenam que você pense de uma forma que eles já saibam a sua resposta.
Porém, isso mudou comigo há três anos, nos meus quinze anos. Ao matar uma família que foi transformada em vampiros, vi o filho da mulher, ainda humano, chorando quieto. Apesar disso, a expressão que ele tinha nos olhos, fez algo em meu coração doer.
Quando ele me olhou nos olhos, algo em mim se abriu e eu fiquei parada, apenas lhe olhando. Suas palavras me marcaram como ferro quente.
“Você não tem o direito de matar quem quiser! Você não decide quem morre e quem vive! Você não é Deus para isso!”
Pela primeira vez eu comecei a ter duvidas e sentir. Antes, nós aprendemos a ignorar tudo isso. Eu percebi o quanto era vazia, mas acima de tudo eu tive que aprender a esconder tudo isso e continuar a matar com as duvidas na minha mente.
-Denise? – olhei para o Jack, cansada – Você está bem? Está distante.
De todos os alunos do instituto, ele é o único que se preocupa com alguém. E infelizmente comigo. Ele não deveria ser assim, mas quando é em relação em mim, ele não sabe disfarçar quando estamos á sós. É por isso que não gosto de fazer missões com ele, pois às vezes, eu sou apenas uma distração para ele. Sou seu ponto fraco e tenho medo dos outros começarem a perceber. Ele e o Felipe.
-Vou dormir. – falei e então ele me puxa com força, fazendo-me deitar no seu colo – Obrigada.
-Só durma. Vai levar o resto da noite.
Fechei os olhos e não demorei a ter o pesadelo. No sonho, eu não gritava, não fugia. Simplesmente assistia as pessoas que eu matei virem na minha direção. Como sempre, com uma espada na mão, eu me defendi e as matei novamente, sem produzir som, sem me alterar, sem suar e sem hesitar.
Abri os olhos um pouco antes de o carro parar em frente ao instituto. Percebi que o Jack estava deitado em cima de mim e eu deitada em sua perna, cutuquei sua barriga com força.
-Chegamos. – falei e ele se levantou assustado batendo a cabeça no teto, mas rapidamente voltou a se sentar – Calma, calma!
Ele me olhou e sorriu abertamente. Eu arregalei os olhos e ele logo voltou ao normal.
-Nunca mais sorria. – a porta se destrancou e eu saí correndo.
-Denise! Denise espere! Eu posso explicar! – ouço-o gritar, mas ignoro e continuo a correr – Denise!
Assim que passei pela gigante porta preta, eu dei de cara com o salão principal que dava caminho para todos os locais do instituto.
Olhei para a escada que ficava no meio do salão e levava apara o segundo andar, o andar dos dormitórios. Caminhei rapidamente para lá e corri pelos corredores até chegar a frente a minha porta.
Abri a porta dourada que indicava o nível em que você está no instituto. Eu estava no mais alto. Assim que abri, vi mais cinco portas.
Eu não sou a única que vive na porta dourada. Tem na verdade, mais três pessoas, além de mim que vive aqui. Na outra porta que sobra é um banheiro e por sorte, o banheiro fica em frente ao meu quarto, eu tendo fácil acesso.
Fui para a última e fechei a porta, me jogando na minha cama de ferro com um coxão fino. Não é muito confortável, mas da para dormir quentinha.
Comecei a chorar, sem tentar esconder minhas emoções. Ele não podia ter sorrido. Muito menos de um jeito tão sincero que nem ele sorriu. É a primeira vez que vi um sorriso desse jeito... Considerando que vivi toda minha vida aqui praticamente e quando saia para missões, só matava ou ficava em um quarto de hotel.
Realmente o Jack ficou lindo com esse sorriso e eu queria que ele sorrisse sempre, mas é um perigo ele sorrir desse jeito. Não faço ideia das coisas que o instituto poderá fazer se o pegar sorrindo assim.
Não sei quanto tempo eu passei na cama até poder conter o choro. Não que eu estivesse chorando só por causa do Jack, mas também por ele.
Eu passei seis meses fora daqui, e nesses seis meses, claro que eu tive que matar mais e mais... Coisa que não é uma coisa da qual eu me orgulho. Felizmente não tive que matar tanto.
Eu amo quando tem missões, principalmente quando vou sozinha, pois eu pesquiso mais do que mato. Entre as “assassinas” eu sou uma das cinco melhores, agora entre espiãs, uma das três. Por esse mesmo motivo que eu sou mais usada para pesquisas.
Nos meus quinzes anos, eu me esforcei para aprender como agir, o que fazer como ser uma excelente espiã.
Por isso sou uma das três melhores na América Latina. E isso para mim já basta. Eu mato menos, e levo as informações que são cruciais apenas.
Quando parei de chorar, eu saí do quarto e fui para o banheiro deixando a porta aberta. Assim como meu quarto, o banheiro é um lugar simples, todo branco. Só o que tinha de mais era um armário e um espelho redondo. O resto nada de mais.
Tomei uma ducha demorada, para limpar toda a sujeira e exaustão dos três dias sem banho. Após sair, fui até o armário e peguei duas toalhas. Uma eu enrolei meu cabelo e a outra depois de me secar, enrolei em meu corpo.
-Vá à sala do diretor depois de se trocar. – olhei para a porta e vi o Jack apoiado contra o batente da porta – Me desculpe... Na hora do carro.
-Não me importo de verdade. – menti e então mordi meu lábio – Só tome cuidado, tudo bem?
-Sim. – o vi segurar um sorriso de diversão e então ele tosse para disfarçar.
-Preciso me trocar, vá logo.
-Claro, senhorita. – girei os olhos e assim que ele saiu, e fui em direção ao meu quarto me trancando nele.
Olhei para ele, vendo que tinha apenas um pequeno espaço para me locomover da cama para minha cômoda. A luz vinha apenas de uma janela com grades que eu tenho que manter aberta para não ficar o cheiro da madeira que era do chão.
Peguei o uniforme que marcava seu nível “social” também e percebi que o ultimo nível mudou designer. Antes uma calça, agora uma minissaia preta, com meia-calça branca ou preta e um sapato de salto alto. A camisa branca de manga curta continua a mesma. E como sempre, uma jaqueta para os dias de frio.
Sem meia-calça e eu fui para a sala do diretor. No meio do caminho, trombei com a Brenda, a menina que dormia no mesmo local que eu.
Seu cabelo cor de fogo, todo cacheado e desgrenhado lhe dava um ar de selvagem e seus olhos pretos não discordava minha opinião. Ela estava extremamente brava.
-Tome cuidado! Não fique se achando só porque é a melhor deste instituto! Muitas coisas mudaram enquanto esteve fora!
-Desculpe, não foi de proposito. – falei surpresa – O que houve?
-Você saiu daqui a seis meses. Seu amigo Jack há apenas uma semana, pergunte para ele. Ele sabe.
Ela entrou no seu quarto e eu fiz uma careta confusa. Ignorei e andei mais rapidamente para a sala do diretor, ignorando a todos.
-O que foi? – perguntei ao ver apenas o Jack na sala.
-Ele mandou nós esperarmos aqui.
Ouço a porta se abrir atrás de mim e ao me virar, eu vejo um homem de terno, mas dava para perceber que era musculoso jovem e tinha careca brilhante. Vindo à nossa direção estava com uma pasta branca nas mãos.
-Sou o mais novo diretor. – ele fala olhando para mim – Seu irmão já me conhece, e...
-Desculpe? – o cortei confusa – Irmão? Que irmão?
Percebo o Jack segurar minha mão com força e olhando em seus olhos, vejo preocupação. Arregalei os olhos, mas ele apenas apertou minha mão mais forte.
-Desculpe. – Jack sussurra.
-Como assim?
-Seu irmão é o Jack, Denise. – quando o diretor disse isso, eu quase acreditei.
-Claro... Tirando que ele é dois anos mais velhos que eu... Que ele tem um irmão gêmeo... É obvio que a mãe dele ia resistir depois de dar a luz para duas crianças de uma vez e ainda, dois anos depois, conseguir me dar à luz. – falei sarcástica.
Só existi um par de gêmeos em todos os institutos do mundo, que era o Jack e o Felipe. Então é obvio que a mãe deles não ia resistir depois de dar a luz a duas crianças. Totalmente impossível.
-Se você acha que não, então olha essa pasta. – ele jogou a pasta branca na minha direção e eu corri o olhar sobre as informações – Não tem como negar. A mãe de vocês é a mesma. E se acha que mentimos, está ai o DNA de vocês. São compatíveis. E fala sério! Nós que fizemos sua mãe ter novamente um filho. Ela teve três maravilhosos filhos. Não negue. São muito parecidos. Quase trigêmeos. Ela morreu depois de dar a luz a você, Denise.
Olhei para o Jack, vendo seu cabelo preto desgrenhado e logo seus olhos prata... Um prata muito diferente. Eu e ele somos iguais. Temos cabelo preto e olhos prata, que parece líquido se movendo. Um dia eu até cheguei a imaginar que a gente poderia ser irmãos por sermos tão parecidos, mas descartei a ideia sem pensar duas vezes.
Simplesmente essa ideia era impossível.
Eu tenho o cabelo preto também... Não tão bagunçado, mas só porque eu o escovo. Se ele escovasse ficaria igual. Meu cabelo é todo liso, menos nas pontas, onde tinha uns cachos que às vezes me irritava.
O comprimento, bem, eu deixo em um tamanho que me agrada. Ia até a cintura, de forma sedosa e brilhante. Claro, eu amo ele, afinal tenho um cuidado especial por ele, mas essa não é a questão!
–Se vocês sempre souberam, porque nunca falaram para nós?! - perguntei brava.
–Isso nunca havia ocorrido. Não tínhamos certeza se iriamos falar ou não. Eu vim aqui para decidir isto. E achei melhor falar. Já era óbvio mesmo. Eu avisei primeiro para os seus irmãos. O Felipe queria ir te ver também, mas eu o mandei para uma missão. Deve voltar hoje mesmo.
Olhei par o Jack, vendo que me encarava esperançoso. Senti vontade de lhe abraçar, de gritar com ele... Saber o porquê de ele não me falar antes, mas em vez disso, com uma precisão exata, joguei a pasta na mesa, fazendo para bem em frente ao diretor.
Cruzei os braços e olhei ao diretor de modo frio.
–Isso deveria mudar algo? - perguntei sem emoção na voz - Não é como se isso fosse grande coisa. Não é como se isso fosse mudar minha vida. Tanto faz.
Percebo o Jack arregalar os olhos e passar a mão no cabelo, antes de ir para a porta.
–Já que você se formou mais cedo Denise, tenho que pedir para...
–Eu vou ao lugar dela. Ela precisa descansar. - falou Jack - Tenho mais experiência no campo que ela, por isso, eu vou no lugar dela.
Virei e olhei para o meu... Irmão? Nossa isso é tão estranho! Percebi o Jack olhar ao diretor decidido e reparei que ele não ia desistir da sua decisão.
–Você irá então ficar fora no mínimo três meses e a Denise será a inspetora do instituto à noite, essa semana. Explicarei o porquê...
–Nunca! - gritou Jack alterado e voou para a mesa - Aqueles malditos foram aceitos, mas minha irmã não tem que tomar conta deles!
Segurei o braço do meu irmão e o puxei sem grande dificuldade para longe do diretor.
–Ela ganha de você em todos os aspectos. Não tenho dúvidas. Ela é a melhor aqui.
–Vampiros nunca deveriam ter sidos aceitos nesta maldita escola!
–Com? - perguntei confusa.
–Como experiência, eles resolveram aceitar um grupo de vampiros e metamorfos, que mostraram ter controle sobre si e que servem apenas para matar quem lhe és ordenado. Eles matam feito máquinas. - meu irmão tenta se soltar e eu o jogo no chão.
–Aceitarei a missão. - coloquei minha mão na barriga e me inclinei - Obrigada. Parece muito interessante.
–Hoje mesmo você começa e seu irmão vai agora mesmo... Se achar que precisa, pode mata-los Denise. - assenti e me virei.
–Boa sorte Jack. - falei sem olhar em seus olhos.
O escritório do diretor ficava no terceiro andar, junto com a biblioteca mais algumas salas de treinamento intensivo. Desci as escadas de mármore até o salão principal e caminhe para o corredor que levava para o refeitório.
Quando entrei vi as paredes pintadas de um vermelho bem claro, com um amarelo e o piso havia sido trocados por mármore branco.
Hoje a comida era chinesa. Peguei de tudo um pouco e com um suco de uma, me sentei em uma mesa no primeiro andar do refeitório, em um dos locais mais discretos que tinha
Comecei a comer saboreando a especiaria da casa. Fazia tempo que não comia comida chinesa. Não foi a melhor que comi, mas muito gostosa. Eu preferia a missões, onde eu podia comer o que eu quisesse e de uma qualidade melhor... Não que fosse ruim, pois estavam melhorando ao passar dos anos.
Então é isso? A escola aceita vampiros e metamorfos agora. Interessante. Eles estão apenas se contrariando... Como se isso fosse importante. Quero dizer... IRMÃOS?!
É impossível aqui alguém aqui ter um irmão, além do Jack que era gêmeo do Felipe. Já é raro existir gêmeos quem vai dizer de irmão mais velho! Pelo menos, era o que eu achava.
–Precisava ser tão fria? - olhei para o lado vendo meu irmão fazendo careta.
–Nós fomos treinados para não sentir. Se eu demonstrasse o que sentia, só nos significaria por em perigo! Aprendi a esconder minhas emoções nos meus quinze anos. Mas estou muito feliz. Estou sendo sincera e quando você sorriu no carro, isso me deixou bem, mas aprende uma coisa Jack. - olhando em seus olhos, falei séria - Não podemos sentir. Nada. É proibido. Apesar disso... Eu sinto mais do que deveria.
–Por isso começou a matar menos? - assenti e fiquei surpresa com o beijo que ele depositou na minha testa - Estão me esperando. Depois conversamos sobre isso. Voltarei o mais rápido.
Ele saiu me deixando de boca aberta.
Assim que ele sumiu da minha visão, me recuperei e voltei a comer. Parei de repente, sentindo-me enjoada.
–Porque este anjo está com uma cara tão feia? Uma careta não é própria de um anjo! - olhei para o meu lado, vendo um garoto da minha idade, provavelmente com cabelo roxo escuro, quase preto, e olhos feito o breu da noite - Meu anjo precioso. Não...
–Quem é você? - o cortei carrancuda.
–Não importa. Uma menina com feições tão delicadas feitas fada e esbelto feito uma ninfa não deveria expressar tal sentimento.
Afastei-me dele encostando-me na parede. Suas feições masculinas pareciam delicadas, mas de certa forma, eu sabia que ele podia ir além do perigo que os alunos aqui estavam acostumados.
–Como assim? - engoli em seco, mas me forcei a demonstrar indiferença e relaxar.
–Duvidaria de uma beleza como a sua, se não tivesse visto com meus próprios olhos. Tudo tão proporcional que até é estranho, mas seu rosto, eu odiei. Com essa expressão...
–Eu estou enjoada! - o cortei brava - Não me perturbe! Não sou assim tão perfeita.
–Claro que é. Não...
–Robert! - um grito feminino me faz tremer e eu olho acima dele, vendo uma menina de cabelos pretos com olhos pretos e roupas pretas, mas tão pequena com uma pele tão pálida que parecia uma boneca de porcelana gótica - Nunca falou porra nenhuma desde que entramos e agora não cala a boca?! Conseguimos te ouvir lá do corredor! Não se esqueça do que viemos fazer! E nossa diferença entre eles.
Olhei para o lado dela e vi mais duas garotas. Uma tinha o cabelo bem curto de pintado de laranja bem forte, com uma coleira no pescoço e roupas que mostrava um lado masculino relaxado, mas confortável.
A outra com cabelos dourados e cacheados, usava um vestido fofo rosa, com lacinhos e brilhos. Com um sorriso para mim, avançou e puxou o Robert para longe.
–Desculpe-nos. - a loira fala - Sou Luize, a estressada é a Alice, essa menina na versão menino é a Bruna.
–Sou a... Não interessa. Adeus. - peguei minha bandeja e mesmo caminhando, forcei meus instintos e me forcei na conversa deles curiosa.
–Ela é que nem os outros. Estou em uma depressão profunda - ouço Robert falar triste - Eu achava que ela era diferente.
–Hoje é sorvete como sobremesa. - Alice fala tentando o animar - Já era de se esperar que ela fosse que nem os outros.
–Oba! Sorvete! - ele grita e eu reviro meus olhos.
Ao voltar para a porta, me deparo com eles conversado.
–Não sou que nem os outros. - falei parando em frente a eles.
–Como assim? - olhei para a Luize e suspirei indignada - O que?!
–Todos aqui têm seu DNA alterado, por isso, tomem cuidado ao falarem as coisas. E eu não sou uma exceção. Muito pelo contrário. - olhei para a Luiza fixamente e sussurrei só para eles ouvirem - O que essas pessoas fazem e sabem... Eu faço melhor e sei mais. Eu e meus irmãos somos os melhores daqui.
Afastei-me, pensando que eles deveriam ser apenas uns novatos que foram transferidos. Afinal, intercâmbio entre os institutos é normal.
–Que medinho. Ela não é um anjo. - fala Robert e eu consigo apenas sorrir.
–Ainda posso te ouvir Robert! - gritei fingindo estar brava.
Assim que cheguei ao meu quarto, tomei meu remédio de sempre, para controlar minhas necessidades.
Meu estômago acalmou, mas minhas dúvidas voltaram.
Porque eu tenho que tomar isso? Só porque o instituto ordenou? O que são minhas necessidades que esse remédio encobre?
Não entendo. Isso é certo? O que será que eu realmente necessito? Será que eles estão me escondendo mais alguma coisa?
Não sei direito, mas última vez que tentei parar eu fiquei desacordada e acordei no hospital do instituto... Com o Jack e o Felipe ao meu lado.
Pensando nisso, mesmo antes de sabermos a verdade, nós sempre tivemos juntado.
Eu me pergunto o que mais o instituto esconde de nós três. Nós somos muito diferentes, mesmo comparando com os alunos que tem o DNA alterado.
Nós somos os únicos que tem que tomar esse remédio.
Eu cresci para não questionar, nem desobedecer à ordem, mas... Aquela criança mudou tudo.
Mordi meu lábio e tirei o uniforme, nem precisei colocar o despertador para tocar, pois consegui controlar o quanto eu podia dormir. Uma coisa que temos que aprender a dominar.
Eu não deveria ser assim. Pensei me deitando na cama. Sentir e ter dúvida... É complicado e confuso, mas agi como um robô também não e legal.
Único jeito de continuar a viver em paz, ou pelo menos tentar, é pensar que eu faço isso pelo bem da humanidade. Ou pelo menos, eu acho.
Assim que adormeci, tive o mesmo sonho de sempre.
As pessoas vinham na minha direção e eu matava sem hesitar, sem suar e sem gritar.


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2 comentários:

  1. Olá, parabéns pelo seu blog!
    Se você puder visite este blog:
    http://morgannascimento.blogspot.com.br/
    Obrigado pela atenção

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    1. Visitei o blog, então, você que escreve os textos, certo? Eles estão ótimos, parabéns *-* Continue assim, quem sabe um dia, você, sei lá, junta os textos e coloca em um livro e vira sucesso. Nunca se sabe.
      Obrigada, estamos fazendo nosso melhor pra voltar com o DL aos trilhos.

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