sábado, 12 de fevereiro de 2011

Livro:"A Adaga de Ouro" de Igor Matheus

Aproveitando para falar que topo colocar as entrevistas no meu blog,viu Kath?Mas chega de enrolação.Eu estava passeando pela blogsfera e encontrei esse blog que é sobre este livro super interessante,chega de demora,vamos lá:

Cinco anos depois de ser sequestrado por um mago que procurava uma adaga, Erick Thompson se reencontra com sua "salvadora", Anna Boulevard de um estranho modo. Após os mais estranhos acontecimentos, ela lhe revela que Erick está simplesmente grávido, e que guarda dentro de si mesmo uma adaga de ouro, que é a chave para um Poder Absoluto desejado por diversos seres malignos, ou talvez o ser mais maligno. Depois disso, Erick e sua família se mudam para a pacata cidade de Soleste com um grupo designado para proteger o garoto e a adaga. É a partir daí que Erick tem que se conformar com sua nova vida e seguir em frente, sempre tentando se manter vivo enquanto essa adaga não nasce...
 

Capítulo Um

Foi a cinco anos que aquele seqüestro estranho ocorreu. Eu simplesmente havia acordado no dia seguinte, na minha cama, como se tivesse tido uma boa noite de sono, e minha vida até aqui foi completamente normal. Não me pergunte o que aconteceu com Baldor ou Anna, pois não faço idéia.
O despertador tocou ao lado de minha cama. Eu me levantei, sonolento, tomei um banho frio para despertar, e tomei um belo café da manhã feito por minha mãe, Carla. Ela era uma mulher de espírito jovem, com uma cabeleira loura encaracolada, olhos castanhos cintilantes e um sorriso que acalma até um executivo, no caso, meu pai, Kelvin. Ele já havia saído para trabalhar. Ele trabalha no governo, na Seção de Controle Animal, ou SCA.
– Ansioso para o primeiro dia de aula, querido? – perguntou minha mãe, servindo-me um copo de suco de laranja.
– Nem um pouco. – disse eu, e era verdade. Digamos que eu não era muito social, já que era aquele garoto que se sentava num canto afastado na sala de aula para não ter que conversar com ninguém.
– Esse ano tudo vai mudar. – disse minha mãe. – Você pode apostar que tudo irá melhorar. Nova escola, nova vida e novas amizades, não é?
– São as mesmas pessoas, mãe. Eu só estou saindo do ensino fundamental para o ensino médio.
Carla simplesmente sorriu, e começar a lavar a louça do café. Eu me levantei, peguei minha mochila e dei-lhe um beijo na testa. E saí para a rua lá fora.
Era uma manhã agradável. Os pássaros cantarolavam alegremente, voando abaixo de um céu azul com poucas nuvens e um sol escaldante que havia acabado de nascer. Tudo parecia mais verde naquela linda manhã. Parecia um bom presságio.
Apenas parecia.
Com um sorriso idiota comecei a andar pela calçada. Não havia ninguém na rua, o que me dava vontade de saltitar, mas eu não ia saltitar. Eu havia parado de saltitar com quatro anos de idade, na escola, quando um garoto colocou seu pé na minha frente, me fazendo cair. E ainda disse para mim “diminuir minha alegria”. É, eu levei aquele conselho a sério a vida inteira.
Virei a esquina e ao longe vi o grande prédio de minha nova escola. O que me aguardava lá dentro?
Eu estava pensando nisso quando alguém me pegou pelo braço. Esse alguém me empurrou para dentro de uma casa que eu nunca havia notado antes, e me jogou para dentro do hall. Depois se virou e trancou a porta.
– Há quanto tempo, Erick Thompson.
Eu berrei. Tentei recuar rapidamente, mas tropecei no meu cadarço desamarrado e caí. Bem na minha frente estava Anna. Eu a reconheci pela capa preta, mas desta vez estava sem o capuz. Tinha um cabelo louro brilhante, que descia em ondas até os ombros e mais além. Seus olhos tinham cor violeta, seu rosto delicado chegava a brilhar de tão branco.
– O que você quer? – disse eu, deixando minha raiva de lado por causa da beleza de Anna.
Anna sorriu. Aquele sorriso me deixou tonto, mas segundos depois a ficha caiu. Ela estava me enfeitiçando! Era uma feiticeira!
– Não vou cair em sua armadilha! – exclamei, fechando os olhos com força. Ouvi uma gargalhada de melodia doce, e também tapei os ouvidos. Depois senti seu toque suave em meu rosto. Aquilo foi demais. Deixei que ela abaixasse minhas mãos e abri lentamente os olhos. Ela ainda sorria.
– Acho que começamos com o pé esquerdo naquele dia. – disse ela com suavidade. – Vamos começar de novo?
Eu estava tonto. Ela falava como se isso tivesse sido a alguns dias, e não cinco anos! Tentei desvencilhar minhas mãos das dela, mas parecia meio difícil, mesmo ela não fazendo força. Tentei falar não, mas somente um gemido saiu da minha boca.
– Larga o garoto agora. – era a voz de Anna, mas sem aquela doce melodia, mas sim com uma frieza sem igual.
Finalmente Anna me largou, e olhou para trás, onde havia outra Anna. Eu pisquei duas vezes, ainda mais confuso.
Então a Anna mais perto de mim começou a se transformar. Eu fiquei horrorizado ao constatar que ela estava se transformando em uma velha de cabelos pretos que mais pareciam palha e com uma verruga gigantesca no nariz. O casaco se inclinou, revelando uma grande corcunda, e a pele dela se enrugou totalmente.
– Uma bruxa! – exclamei, estupefato.
A bruxa se virou para mim, parecendo meio triste.
– Até o mais retardado dos humanos percebe o que eu sou. – disse ela, amargamente.
– Saia daqui, bruxa. – disse Anna, com aquele mesmo tom de voz de cinco anos atrás. – O garoto não vai com você.
– Pode me chamar de Néia. – disse a bruxa. – E sim, o garoto vai comigo.
Néia soltou uma gargalhada forte, enquanto uma vara saía de sua manga. Em um ato de grande estupidez pulei na corcunda da bruxa no exato momento em que ela se virou para jogar um feitiço contra Anna. Agarrei a mão dela e desviei sua mira para a janela, que se quebrou no segundo seguinte.
Anna pegou no bolso do casaco uma arma e atirou em Néia, demonstrando uma habilidade impressionante. Pulei de suas costas no exato momento em que ela berrava e caía no chão, deixando sua varinha cair também, que eu me chutei para longe de sua dona.
Mas ela se agarrou em meu pé e me fez cair. Arrastou-se para mais perto de mim, não me deixando recuar, e me abraçou. Tudo começou a rodar, e eu senti o vômito rasgar minha garganta em direção à boca. Mas Anna pulou sobre a bruxa em meio a giratória, e tudo ficou confuso.
Eu ainda girava, mas não com tanta rapidez. Sentia somente um braço de Néia me agarrando, mas ela não estava visível. Quando esse braço me largou, finalmente tudo voltou ao normal.
Anna estava com um punhal apontado para a garganta de Néia, de mãos erguidas em forma de rendimento.
– O... o que aconteceu? – perguntei, com um pouco de tontura.
– Ela tentou se teletransportar com você. – disse Anna, sem tirar os olhos de Néia. – Será que vou ter que salvar você toda vez que alguém tentar alguma coisa contra você, garoto? Você tem que ser mais prudente, ficar trancado em casa e nunca mais sair, só assim ninguém vai conseguir rastrear você...
– Eu tenho nome. – eu estava começando a ficar irritado. – E não é “garoto”.
– Eu sei seu nome, garoto. – vociferou Anna. – Agora cale a boca, tenho que mandar essa bruxa pro inferno.
– Você vai matar ela?
– É lógico que vou.
– Não me mate!
Nós dois olhamos para a bruxa, que nos olhava com um olhar amedrontado.
– Olha, eu sei que fui uma bruxa má, mas ainda posso mudar! Eu nunca quis ser tão má assim, sabe, fui obrigada por minha mãe, Selena. Ela sim é uma bruxa má! Ela queria a adaga, disse que isso nos faria poderosas e ainda ganharíamos ponto com um tal de poderoso, mestre, sei lá... Só sei que ela está servindo a um cara muito estranho. Eu queria pegar essa tal adaga e me libertar de mamãe! Talvez ficasse tão poderosa quanto ela, sabem, e poderia derrotá-la. Mas ela é muito mais poderosa! Me obriga a ter essa aparência de bruxa feiosa quando a minha aparência natural é muito melhor...
Eu não sentia nem um pouco de compaixão pela bruxa, mas estava confuso com essa história de adaga. Cinco anos atrás eu pensava muito nisso, mas conforme o tempo passava, eu fui esquecendo.
Mas tudo veio à tona novamente.
– O que é essa adaga? Eu nem a tenho pra vocês ficarem correndo atrás de mim!
– Você saberá tudo na hora certa, garoto. – disse Anna, rispidamente. E virou-se para Néia. – Quanto a você, acho melhor dizer tudo o que sabe sobre o plano de sua mãe.
– Não sei de nada. – disse Néia. – Ela só disse que, se nós possuíssemos a tal adaga, o cara a quem ela serve ficaria eternamente grato...
Anna balançou a cabeça em modo afirmativo, com os lábios crispados. Abaixou o punhal e depois tirou o capuz, revelando um rosto idêntico à sua versão de Néia, mas que não produzia nenhum encanto.
– Suma da minha frente antes que eu acabe com você.
– O-obrigada... – gaguejou a bruxa. – Eu prometo que vou melhorar... Não sei o que d-deu em mim...
Néia rapidamente pegou a varinha e desapareceu. Eu olhei abobalhado para o local de onde ela havia sumido, mas rapidamente me recuperei.
– Se você me dá licença, eu tenho aula. – eu disse, indo em direção à porta. Entenda: eu estava me borrando de medo de tudo aquilo e não queria mais ficar ali. Apenas queria voltar para minha vida chata e normal...
Mas eu havia me esquecido de um detalhe: a porta estava trancada.
– Você quer ou não quer saber o que é essa adaga e o que ela pode fazer com Véstia? – perguntou Anna.
– Talvez depois da aula. – eu disse. Olhei em volta, procurando alguma saída, e então vi a janela quebrada. – Nos vemos algum dia desses, estou muito atrasado.
Pulei a janela e voltei para a calçada, sem nem olhar para trás. Olhei para o relógio e me assustei: faltavam cinco minutos para a aula começar.

Muito bom né?O que acharam?Comentem!

XoXo,

Vicky

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